Herois - O Começo
Em nossa cidade, São Paulo, alguns bravos e corajosos heróis vêm combatendo o crime contra os mais temíveis mal feitores deixando nossa população mais segura.
Apesar na maioria das pessoas acreditarem que a presença dos heróis em nossa cidade está sendo muito boa, alguns grupos não gostam de sua presença já que este poderia representar uma possível ameaça a democracia, direitos humanos, agindo acima da lei, etc. Constantemente essas pequenas organizações fazem propaganda e manifestações contra a presença destes heróis.
Hoje, os intitulados heróis, agem de forma autônoma combatendo o crime cada um a sua maneira. Com isso temos desde os mais nobres exemplos até atos extremamente covardes com os criminosos. “Não que eles não mereçam”, sendo onde muitos cidadãos apreciam lá no fundo estas ações, mas para a sociedade dizem que é um absurdo, etc (hipocrisia).
“Confidencialmente, a ONG - Pró Bem, fez um convite a vários heróis da cidade os convidando a fazer parte de uma liga intitulada Em Busca da Justiça.”
segunda-feira, 5 de abril de 2010
segunda-feira, 29 de março de 2010
Len Morgan
Ocupação
Professor de Geografia
Motivação
Caçador de Emoção (Thrill Seeker)
Alias
Challenger
Descrição
Personalidade
História e Passado
Professor de Geografia
Motivação
Caçador de Emoção (Thrill Seeker)
Alias
Challenger
Descrição
Len Morgan é um canadense de 23 anos. Tem cabelos e olhos castanhos, pele clara, 1,85 metros de altura e um bom condicionamento físico devido ao amor que nutre pelos esportes. (principalmente rugby e boxe, os quais ele pratica em suas horas vagas). Len já trabalhou como farmaceutico, padeiro e faxineiro, mas atualmente - devido ao fato de estar no último ano do curso de geografia - ministra aulas em um colégio para crianças com problemas auditivos.
Personalidade
Len é inteligente e engraçado, sendo uma excelente companhia para diversão. Não tem muitos amigos, resumindo seu círculo de contatos a colegas de trabalho e dos bares que frequenta. Ele é bastante competitivo, e costuma envolver-se em brigas em bares - principalmente para defender mulheres inocentes (ao menos que ele crê inocentes) e lindas. Ele é superficial, e gosta de sua aparência e da atenção que as mulheres lhe dão. Não é desonesto e tampouco preguiçoso, mas não se sente incomodado por evitar o trabalho de vez em quando. É um bom professor e tem paciência com as crianças, mesmo que ainda esteja aprendendo a linguagem de sinais.
Tem medo de compromissos, e por isso raramente tem namorada fixa (jamais apresentou uma aos pais, que ainda vivem no Canadá). Não tem muito dinheiro, mas vive bem com o que tem: um apartamento alugado no centro de [colocar aqui a cidade onde se passará o jogo], uma TV de plasma (cujas prestações ele ainda está pagando no cartão de crédito) e uma vespa (essa, já paga). Não guarda muito dinheiro, pois gasta boa parte do que ganha para se divertir no final de semana ao som de músicas eletrônicas.
História e Passado
Ao começar seu segundo ano na Faculdade de Geografia e Geologia, Len visitou o museu da cidade juntamente com seu grupo de colegas. O motivo da visita foi a exposição temporária de um meteorito composto de uma liga metálica inexistente na terra. Ele se interessou imensamente pelo pedaço de rocha, tanto que resolveu voltar sozinho no dia seguinte. A possibilidade de vida extra-terrena [revisar, dependendo da fantasia criada pelo mestre já prever o conhecimento geral sobre vida extra-terrestre] lhe interessava muito, e por isso estudou o meteorito em seus detalhes. Quando o museu estava prestes a fechar, Len foi avisado pela mensagem de áudio pública e também pelo guarda mais próximo, que moveu-se para junto da caixa de força com a intenção de desligar as luzes que iluminavam o meteorito. Como o meteorito estava apenas separado do público por cordas, Len aproveitou-se da oportunidade para tocá-lo. Entretanto, quando o guarda do museu desligou a chave da iluminação, um curto circuito no terminal de uma das lâmpadas atingiou o meteorito e, por conseqüência, Len. Desmaiado, ele foi tratado na enfermaria do museu para ser liberado algumas horas depois, no começo da noite, por estar bem. Nos dias seguintes Len descobriu seus novos poderes: sua pele se cobria com um armadura quase invulnerável, que cobria todo seu corpo; apenas seus olhos ficavam descobertos, graças ao calor que passaram a emanar; calor esse que Len descobriu poder controlar para emitir raios cortantes e que lhe concedia também a possibilidade de enxergar os objetos e animais por meio do calor que emitiam. Len também descobriu que podia controlar sua mudança, e que apenas quando se transformava seus novos poderes e limitações se manifestavam.
Com esses novos poderes, Len fez tudo o que sempre sonhou: levantou carros e destruiu muros, enfrentou poderosos inimigos e riu de suas fotos nos jornais. Seus inimigos temeram aquela aparição robótica que defendia o "amigo" Len, e ele adorou ainda mais causar brigas em bares quando transformado - conforme sua própria definição - no Challenger.
Len apenas tenta manter sua identidade secreta com medo de que perca o emprego. Afinal, ele precisa terminar de pagar a TV de plasma para comprar o Home Theatre.
Modus Operandi
Depois que descobriu que tinha poderes especiais, Len passou a usá-los para seu próprio proveito. No começo, trabalhou de leão-de-chácara (como Challenger) em alguns clubes, removendo bêbados e afastando arruaceiros. Ele adorava o trabalho, porque lhe permitia esmurrar idiotas e ver belas mulheres. Muitos dos "idiotas" ameaçaram sua vida, mas como eram meros humanos nada poderiam fazer para machucá-lo. Infelizmente ele não permaneceu muito neste trabalho porque sempre que via alguém em necessidade (um assalto próximo ou algo do tipo), ele largava seu posto de guarda-costas para ir em socorro, deixando todo mundo entrar.
Ele tentou também uma vaga como lutador de luta livre, mas no dia em que se apresentou no circo local um outro cara vestido de vermelho e azul ganhou a única oportunidade que havia para os testes simplesmente por não ter chegado atrasado (Len ficou paquerando a caixa do supermercado onde ele havia ido comprar uma lata de spray para pintar Challenger no próprio peito de metal - ficou muito feio e demorou semanas pra sair).
Finalmente, contentou-se com a vaga de professor em uma escola para alunos com deficiência auditiva. O salário não era grande coisa e ele também não poderia usar seus poderes para ganhar dinheiro, mas ainda assim poderia aprender de graça a linguagem de sinais (talvez muito útil no futuro, uma vez que ele não pode falar quando está como Challenger e por isso não pode contra-argumentar contra o cara vestido de azul e vermelho para a vaga de luta livre). Ainda assim, sua diversão é patrulhar a noite a procura de arruaceiros, bandidos e outros tipos de marginais nos quais ele pode bater sem remorso e deixar, amarrados em cabos elétricos ou presos em tambores velhos na frente da delegacia ("eles merecem! São bandidos!" pensa Len). Até hoje ainda não encontrou um bandido que fosse um desafio: "todos são uns bunda-moles!"
Muitas vezes, ao deixar a escola no início da noite ele precisa agir e, por não ter tempo para se trocar, tira as roupas em uma esquina escura e sai como o Challenger sem uniforme. A sensação é de nudez, mas não de fragilidade - isso é coisa de boiola, diria ele. Apenas quando ele realmente sai para "caçar" bandidos - finais de semana e feriado - que ele veste o uniforme que comprou na Internet numa promoção de uma loja de aluguel de fantasias.
Modus Operandi
Depois que descobriu que tinha poderes especiais, Len passou a usá-los para seu próprio proveito. No começo, trabalhou de leão-de-chácara (como Challenger) em alguns clubes, removendo bêbados e afastando arruaceiros. Ele adorava o trabalho, porque lhe permitia esmurrar idiotas e ver belas mulheres. Muitos dos "idiotas" ameaçaram sua vida, mas como eram meros humanos nada poderiam fazer para machucá-lo. Infelizmente ele não permaneceu muito neste trabalho porque sempre que via alguém em necessidade (um assalto próximo ou algo do tipo), ele largava seu posto de guarda-costas para ir em socorro, deixando todo mundo entrar.
Ele tentou também uma vaga como lutador de luta livre, mas no dia em que se apresentou no circo local um outro cara vestido de vermelho e azul ganhou a única oportunidade que havia para os testes simplesmente por não ter chegado atrasado (Len ficou paquerando a caixa do supermercado onde ele havia ido comprar uma lata de spray para pintar Challenger no próprio peito de metal - ficou muito feio e demorou semanas pra sair).
Finalmente, contentou-se com a vaga de professor em uma escola para alunos com deficiência auditiva. O salário não era grande coisa e ele também não poderia usar seus poderes para ganhar dinheiro, mas ainda assim poderia aprender de graça a linguagem de sinais (talvez muito útil no futuro, uma vez que ele não pode falar quando está como Challenger e por isso não pode contra-argumentar contra o cara vestido de azul e vermelho para a vaga de luta livre). Ainda assim, sua diversão é patrulhar a noite a procura de arruaceiros, bandidos e outros tipos de marginais nos quais ele pode bater sem remorso e deixar, amarrados em cabos elétricos ou presos em tambores velhos na frente da delegacia ("eles merecem! São bandidos!" pensa Len). Até hoje ainda não encontrou um bandido que fosse um desafio: "todos são uns bunda-moles!"
Muitas vezes, ao deixar a escola no início da noite ele precisa agir e, por não ter tempo para se trocar, tira as roupas em uma esquina escura e sai como o Challenger sem uniforme. A sensação é de nudez, mas não de fragilidade - isso é coisa de boiola, diria ele. Apenas quando ele realmente sai para "caçar" bandidos - finais de semana e feriado - que ele veste o uniforme que comprou na Internet numa promoção de uma loja de aluguel de fantasias.
Gabe - For your Eyes Only
Occupation
Antique Book Dealer
Motivation
Unwanted Power
Description
When people first see Gabe, their first impression is usually amusement at the tall thin dandy, with the old-fashioned, out-of-fashion blond coiffure and powder blue suit. His expression always appears to be wide-eyed and naive, and surprised by all he sees. His eyes are a light brown, though in a certain light, when they reflect the sky they turn silver or blue.
His manners are studied, elaborate and precise for this age. He is unfailingly polite, incongruously in some circumstances. For example, he will remonstrate during a robbery, about the grammar the street-punk employed during his demands.
"No, no no, young man. One does not say 'gimme yer dosh'; it would be so much more eloquent if you were less hurried 'excuse me madam, please give me your pertinences and valuables'
Personality
Those that get to know Gabe in more depth realize that this is part camouflage and part habit. He is genuinely surprised by the selfishness and greed that he sees around himself and retreats into manners as an escape from the hurt. Modern life is also painful and confusing for Gabe, so his tastes in music and literature, viewed as eccentric, are more a reflection of another way of avoiding a modern fast lifestyle.
Background and history
Gabe is old. Very old. 7000 years ago, in a different dimension, Gabe was an angel (then called Azurephesus) tasked with protecting and guiding the new tribes of man. A small accident in dimensional travel landed him in our continuum where the timeline was not exactly the same, though he gladly continued his mission, reporting back to a higher power at infrequent intervals. Slowly Gabe found the attractions of heaven less appealing than the growing cultural arts of the societies with which he was associated. He has not returned now for several hundred years which accounts a little for his sense of loss.
For Gabe the flowering of culture has been the most exciting thing in his existence. Painting, sculpture, music, opera, ballet, fine wines, fine food, architecture, taiko, totems, and the other myriad of ways that man expresses his intelligence. From tribal times, through the founding of cities to the flourishing of the arts, Gabe has been there sampling, tasting and partaking in all the possibilities available.
The eighteenth century was Gabe's favorite. Sichuan Opera and the Garrick theater. Mozart and Handel. William Blake (who he possibly had too much influence upon) and Gai Qi. Since then the rise of technology has left Gabe more uneasy. Certain instruments of the modern age, the telephone, the gramophone and the electric light, he has embraced, but he is generally not at all comfortable with the evolution of technology. He thinks of the centuries past when man lived in smaller groups, and, frankly, there ability to kill each other was limited to a pointed stick.
Currently Gabe runs an antiquarian bookshop. This is made easy by the fact that he has personally known a lot of the authors and he has to be careful he does not reveal this to the customers, but this has made him internationally renowned among the small group of antique book collectors. He is also rather jealous of his collection, and takes great pains not to sell anything. Even going so far as to only open his shop at strange hours. (Only Tuesdays between 10pm and 1am if there is a full moon that week.)
He still takes his purpose of guiding man seriously, and for this has established himself as a superhero persona; fighting crime for the citizens. As he sees his duty, weeding the bad from so the good and gracious can prosper.
Fighting Crime
Gabe actively tries to promote 'good' and hinder 'evil', both in his guise as a concerned citizen; through social and political groups; and in his guise as an 'Angel', a hero who is frequently seen stopping crimes in peaceful ways. Generally the criminals just 'give up' for inexplicable reasons when Angel appears. This enables the public aspect to help the private one. For example, as a member of the local Greenpeace chapter he hears that a local company is planning to open radioactive storage site; Angel will probably check out the directors of the company to make sure it is really following the guidelines from the Environmental Protection Agency, or they are just going to throw radioactive sludge in the river, take the money and run! Note that Gabe does not have any background advantages of contacts etc.,. so it is a very amateur effort.
Antique Book Dealer
Motivation
Unwanted Power
Description
When people first see Gabe, their first impression is usually amusement at the tall thin dandy, with the old-fashioned, out-of-fashion blond coiffure and powder blue suit. His expression always appears to be wide-eyed and naive, and surprised by all he sees. His eyes are a light brown, though in a certain light, when they reflect the sky they turn silver or blue.
His manners are studied, elaborate and precise for this age. He is unfailingly polite, incongruously in some circumstances. For example, he will remonstrate during a robbery, about the grammar the street-punk employed during his demands.
"No, no no, young man. One does not say 'gimme yer dosh'; it would be so much more eloquent if you were less hurried 'excuse me madam, please give me your pertinences and valuables'
Personality
Those that get to know Gabe in more depth realize that this is part camouflage and part habit. He is genuinely surprised by the selfishness and greed that he sees around himself and retreats into manners as an escape from the hurt. Modern life is also painful and confusing for Gabe, so his tastes in music and literature, viewed as eccentric, are more a reflection of another way of avoiding a modern fast lifestyle.
Background and history
Gabe is old. Very old. 7000 years ago, in a different dimension, Gabe was an angel (then called Azurephesus) tasked with protecting and guiding the new tribes of man. A small accident in dimensional travel landed him in our continuum where the timeline was not exactly the same, though he gladly continued his mission, reporting back to a higher power at infrequent intervals. Slowly Gabe found the attractions of heaven less appealing than the growing cultural arts of the societies with which he was associated. He has not returned now for several hundred years which accounts a little for his sense of loss.
For Gabe the flowering of culture has been the most exciting thing in his existence. Painting, sculpture, music, opera, ballet, fine wines, fine food, architecture, taiko, totems, and the other myriad of ways that man expresses his intelligence. From tribal times, through the founding of cities to the flourishing of the arts, Gabe has been there sampling, tasting and partaking in all the possibilities available.
The eighteenth century was Gabe's favorite. Sichuan Opera and the Garrick theater. Mozart and Handel. William Blake (who he possibly had too much influence upon) and Gai Qi. Since then the rise of technology has left Gabe more uneasy. Certain instruments of the modern age, the telephone, the gramophone and the electric light, he has embraced, but he is generally not at all comfortable with the evolution of technology. He thinks of the centuries past when man lived in smaller groups, and, frankly, there ability to kill each other was limited to a pointed stick.
Currently Gabe runs an antiquarian bookshop. This is made easy by the fact that he has personally known a lot of the authors and he has to be careful he does not reveal this to the customers, but this has made him internationally renowned among the small group of antique book collectors. He is also rather jealous of his collection, and takes great pains not to sell anything. Even going so far as to only open his shop at strange hours. (Only Tuesdays between 10pm and 1am if there is a full moon that week.)
He still takes his purpose of guiding man seriously, and for this has established himself as a superhero persona; fighting crime for the citizens. As he sees his duty, weeding the bad from so the good and gracious can prosper.
Fighting Crime
Gabe actively tries to promote 'good' and hinder 'evil', both in his guise as a concerned citizen; through social and political groups; and in his guise as an 'Angel', a hero who is frequently seen stopping crimes in peaceful ways. Generally the criminals just 'give up' for inexplicable reasons when Angel appears. This enables the public aspect to help the private one. For example, as a member of the local Greenpeace chapter he hears that a local company is planning to open radioactive storage site; Angel will probably check out the directors of the company to make sure it is really following the guidelines from the Environmental Protection Agency, or they are just going to throw radioactive sludge in the river, take the money and run! Note that Gabe does not have any background advantages of contacts etc.,. so it is a very amateur effort.
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Dragões e Domingos
Descendo em disparada a larga avenida, o automóvel negro mal conseguia desviar dos poucos carros que passavam naquela noite de domingo. O piloto era sem dúvida muito bom, mas percebia-se que não era tão bom quanto os pilotos dos carros policiais que o seguiam. Cedo ou tarde aquilo iria acabar. Passou por um cruzamento sem sequer recear uma colisão fatal. As luzes coloridas e piscantes que vinham dos carros de polícia tornavam mais bela a visão daquele carro esportivo, com um dragão esboçado na janela traseira. Um dragão alado. No carro policial detrás, os passageiros agitavam-se.
- Carro vinte e sete chamando central. Em perseguição a um Jaguar negro pela avenida principal. Seguindo em direção do parque municipal. Necessito de bloqueio na saída para a rodovia. Rápido! - O policial ao volante exaltava-se no rádio. O que se sentava ao seu lado, não parecia muito mais preocupado.
- Acalme-se parceiro, ele não vai muito longe.
- Assim espero. Assim espero. - disse o motorista, pegando uma rosquinha da caixa sobre o colo do companheiro.
Os veículos começaram a se aproximar do parque municipal. A avenida agora era uma ladeira, reta e comprida. Os carros então aumentaram a sua velocidade naturalmente e isto preocupou os policiais. Poderiam haver pedestres nos cruzamentos e nas calçadas próximas ao parque. Seria melhor pararem, mesmo que com um acidente, antes de chegarem ao parque. Com muita destreza, o policial ao volante acelerou e guiou o carro para a direita, emparelhando-se ao belo carro negro. Olhou pelo espelho retrovisor e murmurou algo como “onde diabos estão aqueles desgraçados?”, mas sua atenção voltou-se novamente ao carro negro. Ele era um policial maduro, com quase quinze anos de profissão e um habilidoso motorista. Mas odiava encontrar “moleques irresponsáveis que guiam como loucos”, conforme sua própria definição. Ele era, enfim, um policial correto em demasia, de outros tempos, o que talvez tivesse colaborado para que ele desgostasse de seu companheiro no início. Mas isto foi somente no início. Agora eram grandes amigos. E o carro negro veio bruscamente para cima deles, batendo lateralmente com força e pegando-os desapercebidos.
- Ora seu infeliz! - berrou o motorista.
Agora ele sentia uma imensa vontade de olhar nos olhos daquele motorista que se escondia sob os vidros escurecidos. A praça se aproximava. Mas uma vez, o carro negro se dirigiu para cima da viatura e bateu com um grande estrondo, voltando logo em seguida a se afastar. Mantinham-se emparelhados. A praça se aproximava. O carro negro se sacudiu mais uma vez para a direita pronto para mais uma investida.
- Segure-se firme agora! - gritou o motorista reduzindo a marcha do veículo.
O carro negro investiu de forma assustadora, ao mesmo tempo que o policial pisou no freio e jogou a viatura para a esquerda. O Jaguar negro agora estava mais a frente de forma que tremeu e suas rodas travaram quando o carro de polícia bateu em sua traseira. Ambos os carros se arrastaram por alguns metros até que o Jaguar negro virou e ficou atravessado na avenida, empurrado pelo carro de polícia. Em nenhum instante os vidros do Jaguar se quebraram - mesmo quando, na curva derradeira, o Jaguar capotou por sobre um ponto de ônibus vazio.
O motorista ergueu a cabeça ainda atordoado e olhou para o Jaguar de ponta-cabeça sobre o banco do ponto de ônibus. Havia rosquinhas em todo o seu colo e no chão. Ao lado, seu parceiro estava desacordado e com a cabeça ferida. Pegou o rádio, que ainda funcionava.
- Carro vinte e sete chamando central. Acidente durante perseguição. Policial ferido. Provável suspeito ferido. Avenida principal, na curva próxima ao parque. Solicito ajuda imediata.
Ao sair do carro, tonto pelo acidente, olhou para o Jaguar. Agora ele estava com as portas abertas. Preocupado, olhou ao seu redor. Mas atrás, em um beco, um vulto corria.
- Pare! - e disparou atrás da figura que se embrenhava no beco.
Maldito capitão, pensava enquanto corria para o beco tentando sacar sua arma. Trabalhar no domingo é castigo demais.
Chegando próximo ao beco, parou respirando apressadamente. Olhou para dentro cauteloso e não viu nada. Nada além do grande muro que cercava o final do corredor. Bem, acho que ele não pode fugir por ali, pensou. Que droga! Agora tenho que ir atrás do infeliz neste maldito beco.
Tomando uma pose defensiva ele se dispoz em frente a entrada. Não havia absolutamente nada ali a não ser algumas latas vazias pelo chão e duas grandes lixeiras, provavelmente usadas pelos restaurantes próximos para o depósito de seus resíduos. Andava cautelosamente, entrando no beco com sua arma calibre trinta e oito nas mãos. Nunca havia matado alguém antes. Temia muito mais ter que ferir alguém do que ser ferido.
Aproximou-se do primeiro latão de lixo. Rapidamente olhou atrás dele e nada encontrou. Restava o segundo. Ele se perguntava porque aquele homem - ou mulher - fugira deles. Só o que queriam era perguntar onde ele - ou ela - havia comprado um carro tão belo como aquele. Ninguém mais é honesto nesta cidade. É isto, disse a si mesmo. Bem, ao menos não houveram trocas de tiros e tudo o mais. Aonde estarão os outros?
Aproximou-se do segundo latão de lixo. Por algum tempo apenas ouviu o vento, tentando comprovar aquilo que desejava: que não haveria ninguém ali. Então, de maneira resoluta, avançou. Ao apontar sua arma para o espaço vazio atrás da lixeira relaxou, mas não por muito tempo. Onde haveria ido o motorista do Jaguar preto? Olhou em volta. Nada. Quem quer que fora, havia fugido. Foi então que ele percebeu um pedaço de papel no chão próximo à lixeira. Abaixou-se e o pegou. Havia um grande dragão desenhado. Não como o do carro, mas um dragão parecido com aqueles que são dados às crianças no natal, de pelúcia. Um dragão gordo e com as faces rosadas. Em sua barriga branca estava escrito: “Desculpe”. E no verso do papel uma frase tremida dizia: “Seu parceiro está em apuros. Ajude-o”.
Após o susto imediato, ele correu como um louco para a entrada do beco. Ao chegar lá, viu que a viatura pegava fogo. Correu até lá e teve tempo suficiente para retirar seu parceiro e afastá-lo, antes que o carro fosse todo consumido pelas chamas.
Aos poucos mais carros de polícia foram chegando. Seu parceiro agora estava sob cuidados médicos, mas insistia que estava bem e que tinha sido apenas um arranhão. O capitão se aproximou.
- Vocês conseguiram realmente animar este domingo, não?
- Melhor do que um bom jogo de futebol ou uma noite com a patroa não acha? - o motorista riu para si mesmo, sabendo ter acertado o outro em dois de seus pontos fracos.
- Deixe de piadinhas e diga-me porque perseguiam aquele carro. E onde diabos se encontra o motorista dele.
- Eu buzinei para o motorista para perguntar sobre o carro. Estava muito entusiasmado. Mas é, digo era, um belo carro mesmo e. . .
- E?
- Bem, como eu dizia, quando eu buzinou o camarada do carro pisou fundo e se mandou. Achamos que deveria ter algo errado e o seguimos. Ele começou a fazer ultra-passagens perigosas e arriscar os pedrestes, em uma tentativa clara de fuga. Fomos atrás do infeliz e chegamos até aqui. O desgraçado aproveitou o tempo que ficamos meio atordoados para fugir.
- E você olhou o carro? Algo suspeito?
- Não capitão. Não cheguei nem a olhar dentro dele. Mas na verdade há algo com que estou preocupado. Curioso, seria a palavra certa. Sobre o dragão no vidro traseiro.
- Dragão? Que dragão?
- Aquele - e virou-se apontando para a traseira do carro tombado.
Ali não havia mais o dragão ameaçador que vira antes. Apenas um dragão glutão com as faces rosadas, segurando um aparelho de controle remoto e sentado em uma grande poltrona, de frente para um televisor. Embaixo haviam os dizeres: “O domingo devia ser feito para se descançar!”.
O capitão riu e olhou para o policial.
- Você precisa é de férias.
- Carro vinte e sete chamando central. Em perseguição a um Jaguar negro pela avenida principal. Seguindo em direção do parque municipal. Necessito de bloqueio na saída para a rodovia. Rápido! - O policial ao volante exaltava-se no rádio. O que se sentava ao seu lado, não parecia muito mais preocupado.
- Acalme-se parceiro, ele não vai muito longe.
- Assim espero. Assim espero. - disse o motorista, pegando uma rosquinha da caixa sobre o colo do companheiro.
Os veículos começaram a se aproximar do parque municipal. A avenida agora era uma ladeira, reta e comprida. Os carros então aumentaram a sua velocidade naturalmente e isto preocupou os policiais. Poderiam haver pedestres nos cruzamentos e nas calçadas próximas ao parque. Seria melhor pararem, mesmo que com um acidente, antes de chegarem ao parque. Com muita destreza, o policial ao volante acelerou e guiou o carro para a direita, emparelhando-se ao belo carro negro. Olhou pelo espelho retrovisor e murmurou algo como “onde diabos estão aqueles desgraçados?”, mas sua atenção voltou-se novamente ao carro negro. Ele era um policial maduro, com quase quinze anos de profissão e um habilidoso motorista. Mas odiava encontrar “moleques irresponsáveis que guiam como loucos”, conforme sua própria definição. Ele era, enfim, um policial correto em demasia, de outros tempos, o que talvez tivesse colaborado para que ele desgostasse de seu companheiro no início. Mas isto foi somente no início. Agora eram grandes amigos. E o carro negro veio bruscamente para cima deles, batendo lateralmente com força e pegando-os desapercebidos.
- Ora seu infeliz! - berrou o motorista.
Agora ele sentia uma imensa vontade de olhar nos olhos daquele motorista que se escondia sob os vidros escurecidos. A praça se aproximava. Mas uma vez, o carro negro se dirigiu para cima da viatura e bateu com um grande estrondo, voltando logo em seguida a se afastar. Mantinham-se emparelhados. A praça se aproximava. O carro negro se sacudiu mais uma vez para a direita pronto para mais uma investida.
- Segure-se firme agora! - gritou o motorista reduzindo a marcha do veículo.
O carro negro investiu de forma assustadora, ao mesmo tempo que o policial pisou no freio e jogou a viatura para a esquerda. O Jaguar negro agora estava mais a frente de forma que tremeu e suas rodas travaram quando o carro de polícia bateu em sua traseira. Ambos os carros se arrastaram por alguns metros até que o Jaguar negro virou e ficou atravessado na avenida, empurrado pelo carro de polícia. Em nenhum instante os vidros do Jaguar se quebraram - mesmo quando, na curva derradeira, o Jaguar capotou por sobre um ponto de ônibus vazio.
O motorista ergueu a cabeça ainda atordoado e olhou para o Jaguar de ponta-cabeça sobre o banco do ponto de ônibus. Havia rosquinhas em todo o seu colo e no chão. Ao lado, seu parceiro estava desacordado e com a cabeça ferida. Pegou o rádio, que ainda funcionava.
- Carro vinte e sete chamando central. Acidente durante perseguição. Policial ferido. Provável suspeito ferido. Avenida principal, na curva próxima ao parque. Solicito ajuda imediata.
Ao sair do carro, tonto pelo acidente, olhou para o Jaguar. Agora ele estava com as portas abertas. Preocupado, olhou ao seu redor. Mas atrás, em um beco, um vulto corria.
- Pare! - e disparou atrás da figura que se embrenhava no beco.
Maldito capitão, pensava enquanto corria para o beco tentando sacar sua arma. Trabalhar no domingo é castigo demais.
Chegando próximo ao beco, parou respirando apressadamente. Olhou para dentro cauteloso e não viu nada. Nada além do grande muro que cercava o final do corredor. Bem, acho que ele não pode fugir por ali, pensou. Que droga! Agora tenho que ir atrás do infeliz neste maldito beco.
Tomando uma pose defensiva ele se dispoz em frente a entrada. Não havia absolutamente nada ali a não ser algumas latas vazias pelo chão e duas grandes lixeiras, provavelmente usadas pelos restaurantes próximos para o depósito de seus resíduos. Andava cautelosamente, entrando no beco com sua arma calibre trinta e oito nas mãos. Nunca havia matado alguém antes. Temia muito mais ter que ferir alguém do que ser ferido.
Aproximou-se do primeiro latão de lixo. Rapidamente olhou atrás dele e nada encontrou. Restava o segundo. Ele se perguntava porque aquele homem - ou mulher - fugira deles. Só o que queriam era perguntar onde ele - ou ela - havia comprado um carro tão belo como aquele. Ninguém mais é honesto nesta cidade. É isto, disse a si mesmo. Bem, ao menos não houveram trocas de tiros e tudo o mais. Aonde estarão os outros?
Aproximou-se do segundo latão de lixo. Por algum tempo apenas ouviu o vento, tentando comprovar aquilo que desejava: que não haveria ninguém ali. Então, de maneira resoluta, avançou. Ao apontar sua arma para o espaço vazio atrás da lixeira relaxou, mas não por muito tempo. Onde haveria ido o motorista do Jaguar preto? Olhou em volta. Nada. Quem quer que fora, havia fugido. Foi então que ele percebeu um pedaço de papel no chão próximo à lixeira. Abaixou-se e o pegou. Havia um grande dragão desenhado. Não como o do carro, mas um dragão parecido com aqueles que são dados às crianças no natal, de pelúcia. Um dragão gordo e com as faces rosadas. Em sua barriga branca estava escrito: “Desculpe”. E no verso do papel uma frase tremida dizia: “Seu parceiro está em apuros. Ajude-o”.
Após o susto imediato, ele correu como um louco para a entrada do beco. Ao chegar lá, viu que a viatura pegava fogo. Correu até lá e teve tempo suficiente para retirar seu parceiro e afastá-lo, antes que o carro fosse todo consumido pelas chamas.
Aos poucos mais carros de polícia foram chegando. Seu parceiro agora estava sob cuidados médicos, mas insistia que estava bem e que tinha sido apenas um arranhão. O capitão se aproximou.
- Vocês conseguiram realmente animar este domingo, não?
- Melhor do que um bom jogo de futebol ou uma noite com a patroa não acha? - o motorista riu para si mesmo, sabendo ter acertado o outro em dois de seus pontos fracos.
- Deixe de piadinhas e diga-me porque perseguiam aquele carro. E onde diabos se encontra o motorista dele.
- Eu buzinei para o motorista para perguntar sobre o carro. Estava muito entusiasmado. Mas é, digo era, um belo carro mesmo e. . .
- E?
- Bem, como eu dizia, quando eu buzinou o camarada do carro pisou fundo e se mandou. Achamos que deveria ter algo errado e o seguimos. Ele começou a fazer ultra-passagens perigosas e arriscar os pedrestes, em uma tentativa clara de fuga. Fomos atrás do infeliz e chegamos até aqui. O desgraçado aproveitou o tempo que ficamos meio atordoados para fugir.
- E você olhou o carro? Algo suspeito?
- Não capitão. Não cheguei nem a olhar dentro dele. Mas na verdade há algo com que estou preocupado. Curioso, seria a palavra certa. Sobre o dragão no vidro traseiro.
- Dragão? Que dragão?
- Aquele - e virou-se apontando para a traseira do carro tombado.
Ali não havia mais o dragão ameaçador que vira antes. Apenas um dragão glutão com as faces rosadas, segurando um aparelho de controle remoto e sentado em uma grande poltrona, de frente para um televisor. Embaixo haviam os dizeres: “O domingo devia ser feito para se descançar!”.
O capitão riu e olhou para o policial.
- Você precisa é de férias.
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